quinta-feira, 29 de junho de 2006

A Questão

Um belo dia percebi como eu era sozinho.

Saí caminhando e às mulheres que pelas ruas ia encontrando,
Jovens ou velhas, feias ou belas, ia eu pedindo-lhes a atenção,
E olhos-nos-olhos apenas uma questão fazia.
Pegava em suas mãos e então dizia:

- É você?

Diante das negativas, não fiquei acuado,
Pelo contrário, assim mais ficava eu motivado
Ora, algo elas sabiam, e a julgar o silêncio
Deveria ser algo que lhes causava medo
Ou mesmo inveja e até mesmo respeito.

Segui adiante, passaram-se os dias.
"Serei eu só entre os pares?" - era a dúvida que crescia.
Tomei coragem, mudei meus passos.
Tentei novas formas de fazer contato.

E assim, na tv e nos jornais.
Não se falava de outro fato
Uns que me consideravam anormal
E da benção de outros era eu grato.

E o mundo veio a conhecer,
Atípico ser que vivia,
Só, seja dia, noite, amanhecer.
Sem carinho, atenção, alegria.

Mas vejam vocês, não me senti repelido.
Nem me considerei infortunado,
Podia ser, ou não ser, tão querido.
Sem, no entanto estar abandonado.

E então algo mudou em minha vida.
Na verdade alguém que vi como minha amiga,
E que depois quando mas próximo fiquei,
Vi naqueles olhos algo diferente, eu nem sei.

Prestei tanta atenção quanto podia,
Pra ler naqueles olhos algo que ainda não sabia.
E como nada escapou, nem mesmo de seus lábios,
Criei coragem e lhe mandei esta mensagem...

Que lhe pergunta:

É você?

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