quinta-feira, 11 de janeiro de 1990

O Fogo que entrou por aquela janela

Procurei um tema. Vaguei pelas folhas que entre folhas de menor importância mostravam-se á mim naquela mesa ao canto. Encontrei a luz suprema! E tal qual impuro e indigno ser humano, duvidei de sua relevância. Segurei-me, porém, ás poucas esperanças que possuía e então conceituei-a (ali mesmo naquela mesa agora vazia). Senti sua presença. E, como na infância, quando o sentimento (intenso) se sobrepõe à razão (pouca), tudo o que descobri foi que havia encontrado. E o vento move mares, nuvens e lembranças. A água encobre tudo, mesmo o poderio do rico ou a humildade do pobre. Posso dizer então que é o fogo ardente e brilhante que não permite a visão de sua presença, cedendo-me apenas o calor de sua existência, partindo do vão de minha janela para entrar e abrir também as portas de meu coração, este gélido e mortificado ante o esquecimento que encobria a importância que você tem para mim. Falo do amor. Ah, sim. Há também a Terra... E é nela, pois, que há tempos eu vivo e esperando fico a pensar se mereço tal honra da personificação desta musa que meu coração possui.